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Minhas impresssões com o Ubuntu 10.04 – Lucid Lynx


Sempre fui um usuário do fedora.  Sou até chato de vez de quando, de tanto que falo dessa distro para amigos. Não porque eu a ache melhor que as outras ou coisa do tipo. A verdade é que simplesmente sou apegado a distro por me identificar com ela ou simplesmente porque aprendi a gostar dela, conforme fui me envolvendo com  o mundo do software livre. No entanto, resolvi deixar de lado  esse meu apego  e me aventurar em terras um pouco (não muito) desconhecidas de outras distros. Eu já usava o Arch Linux  e Ubuntu através de uma máquina virtual, com a intenção de conhecer sem ter de formatar o PC ou ficar a rodar pelo LiveCD (no caso do Ubuntu), mas tomei uma decisão faz pouco tempo de mudar minha distro padrão e então baixei e instalei o Ubuntu 10.04 Lucid Lynx  64 bits no meu PC e também no do meu pai.

Uma coisa que sempre me chamou a atenção no Ubuntu, é que a equipe de arte da distro sempre fez um bom trabalho deixando um visual nessa distro que fica realmente muito bonito, na minha opinião. Eu gosto de desktops bonitos e nessa parte, o Ubuntu teve um ponto positivo comigo, apesar de não ser um suuuper ponto, visto que não considero a parte mais importante numa distro. Mas é alguma coisa, principalmente para usuários iniciantes em que uma primeira impressão pode definir se fica ou não na distro (ou no Linux).

Minha área de trabalho no Ubuntu 10.04 - Lucid Lynx. Ainda a padrão, já que gostei bastante dela.

Logo que dei o primeiro boot, o Ubuntu já me notificou que da existência de um driver (proprietário) para a minha placa de vídeo Nvidia. Eu adorei isso e como sei que, por enquanto,  nenhuma solução livre  trabalha de maneira satisfatória com placas Nvidia, resolvi instalar o driver proprietário e logo tive o compiz também rodando de maneira discreta no meu PC, da maneira como gosto.  Pra ser sincero,  o driver nouveau avançou muito ultimamente e é muito provável que eu passe a usar ele num futuro muito próximo.

A canonical tem cumprido o que disse: “Linux for Human Beings”. Ubuntu é uma distro fácil de usar, configurar, com vários scripts/programas que a deixam ainda mais completa instalando tudo o que usuário precisa (e também o que não precisa..), como codecs, Java, Flash, players, algumas configurações, etc.  O Ubuntu Perfeito, criado pelo Hamacker é muito bom nisso. Existe também o Ubuntu Start e atualmente, foi lançado o Ubuntu Control Center que integra várias serviços do Ubuntu em um mesmo local e também o Ubuntu Tweak.  A comunidade está sempre disposta a ajudar pelos fóruns e o IRC. Aliás, tive um problema com o meu som que não funcionava na parte frontal e encontrei alguém já disposto a me ajudar no canal #ubuntu-br no freenode.net .  Depois de quebrar um pouco a cabeça, descobri o problema, que teve uma solução bem simples.

O gerenciador de pacotes apt-get é  bem rápido, mas muitos usuários dizem que se comparado com o yum, do fedora ele é beeem mais rápido.  Bom, pode ser que no passado o yum era mais lento, mas atualmente não percebi grandes diferenças Achei satisfatório o desempenho dos dois. Os repositórios do programa me impressionaram. Tem software pra tudo lá! É bom saber que se um dia eu precisar, poderia esperar encontrar ele nos repositórios. Mais interessante ainda é launchpad que permite a você criar pacotes para o Ubuntu e disponibilizar para todo mundo. Isso faz falta no fedora, visto que não existe nenhum serviço que permite criar repositários e manter programas nele. Eu, por exemplo, mantenho alguns programas e jogos que empacoto no Open SUSE Build Service, que permite criar pacotes para o fedora, mas nada fornecido pelo comunidade fedora, até onde sei.

Mas nem tudo são flores. Além do problema com o som numa versão de 64 bits que relatei acima, ainda achei três coisas que não me agradaram. A primeira diz respeito a tradução do sistema para o português brasileiro. Houve momentos em que li erros de português ou falta de atenção do tradutor em certos trechos. Acho que seria melhor dizer, falta de atenção mesmo. A questão é que isso não deveria ter passado  em alguma revisão e por ter chegado ao usuário final  dá uma impressão de que a equipe não se importa com a qualidade da tradução feita . Infelizmente, não tenho nenhum screenshot de exemplo aqui, já que não fiquei capturando telas quando via algo assim, mas  encontrei esses erro em alguns lugares e seria bom corrigir. Mas também devo dizer que não foram em muitos, mas o suficiente para me chamar a atenção.

Outro problema chatinho é o painel do GNOME que costuma se desorganizar em algumas sessões. Algumas vezes, preciso abrir um terminal e digitar pkill gnome-panel para corrigir esse problema e não acho uma solução elegante para algo que não deveria acontecer..

O terceiro problema diz respeito ao pacote gmt, um conjunto de ferramentas que utilizo bastante para processamento Geofísico. Geralmente para gerar mapas de anomalias, realizar interpolaçõrd, etc. Quando instalei esse pacote no Ubuntu, percebi que ele não colocou o caminho dos binários para esse programa no meu PATH, fazendo que com que eu tivesse de colocar manualmente editando meu arquivo ~/.bashrc. Houve também um problema de conflito entre pacotes desse mesmo software e não entendi os motivos, mas não era algo essencial, se é que era necessário. Fora isso, instalei, coloquei no PATH e tudo funcionou sem problemas.

Assim, esse pouco tempo  usando o Ubuntu como padrão no meu PC  me faz concluir que essa é uma distro que merece realmente se a mais popular entre os usuários, pelo fato de ter um alto investimento em simplicidade  — do ponto de vista de um usuário não experiente com computadores, antes que algum chato venha reclamar :-).  É também uma distro com excelente desempenho, apesar de ter lido críticas dizendo o oposto em alguns lugares. O tempo de boot no meu PC me impressionou.  A verdade é que se tiver de sugerir uma distro para um usuário super leigo eu terei duas sugestões de cara: fedora ou Ubuntu. Mais o Ubuntu do que o fedora ainda, mas também vejo o fedora como uma distro para iniciantes.

Não sei se irei manter o Ubuntu no meu PC é provável que volte para o fedora. Sinto falta dele pelos motivos que citei no primeiro parágrafo, mas com certeza irei manter ele no PC do meu pai que também gostou muito da distro.  Se for o caso de mudar, não considero deixar um dual boot, não curto muito isso. Já mantive Windows e Linux em dual boot no meu PC e acho chato ter de cuidar de dois sistemas operacionais num mesmo PC.

Verdade  seja dita, sou homem de uma distro só.

Migrando para o pinguim: Programas


Esta é a continuação de um artigo anterior que escrevi: Migrando para o Pinguim: Preliminares. Caso não tenha lido, dê uma olhada 🙂

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Pois é, acho que umas das primeiras perguntas que surgem quando se fala em migração para o Linux é: “E como é esse?” Quer dizer, os aplicativos, o ambiente, etc. Vou abordar aqui os principais aplicativos, isto é, aqueles que acredito que muitos usuários utilizem no seu dia-a-dia e poderemos ver que ele é realmente possui tudo aquilo que os usuários precisam. A qualquer momento, você pode clicar em cima da imagem para vê-la em tamanho maior.

Microsoft Office — OpenOffice.org.

Usuários do Microsoft Office devem ficar tranquilos com relação a aplicações de escritório, visto que há uma variedade de aplicativos desse tipo para Linux. Existe a KOffice, do ambiente gráfico KDE (mais pra frente irei falar sobre ambientes gráficos, numa outra oportunidade), GnomeOffice, para o ambiente GNOME e, acredito o mais utilizado, o OpenOffice.org:

O apresentado na figura acima foi apenas o OpenOffice.org Writer. Ainda tem o Calc, Impress.. para a edição de planilhas,  apresentações, etc. A vantagem é que além de ter suporte a formato de documentos abertos, poder criar um pdf do seu documento, etc, ele ainda suporta os formatos do Microsoft Office, o que quer dizer que você pode abrir seus documentos do Word, Excel, Power Point, e tudo mais nele!  🙂

Photoshop — GIMP

Ah, mas então você está pensando em editar imagens e está com medo de ficar sem um bom editor, não é mesmo? Você não encontrará uma versão do Photoshop para Linux, mas quem precisa quando se tem o GIMP!

A maior parte das imagens que são editadas no Linux é feita nesse software e existem uma grande documentação na internet para quem quer aprender a mexer nele. Eis um exemplo aqui e até mesmo no Baixaki você encontra tutoriais e artigos ensinando a mexer nessa ótima ferramenta de manipulação de imagens.

Internet Explorer — Firefox

O Firefox vem ganhando cada vez mais espaço e é um excelente navegador. Usuários Windows já o conhecem porque está disponível para este:

Além dele, existem outros navegadores que poderiam te interessar: Epiphany, Konqueror ou, até mesmo o  Opera

Windows Media Player — Amarok, Rhythmbox,Totem, Kplayer

No que diz respeito a softwares para ouvir músicas e assistir vídeos, nos mais diversos formatos, o Linux está cheio. Os listados acima são apenas alguns do diversos existentes no Pinguim. Você poderia querer, por exemplo, ouvir suas músicas no Amarok:

Se você não gostar dele, ainda existem muitos outros que você pode tentar. como o Rhythmbox, xmms, Banshee, só para citar alguns.  Mas uma opinião pessoal é que o Amarok é o melhor player que existe. Eu mesmo já cheguei a procurar uma versão dele para o Windows e quem sabe, outros usuários conhecerem, mas na época não encontrei.

Se você quer assistir um DVD, nada melhor que um bom software para isso. O Totem é excelente nessas horas:

Mas se você não gostar do Totem.. é aquela história, o que não falta é opção para você. Kplayer, mplayer, Kaffeine, VLC, xine.. e muitos outros.

Windows Live Messenger — Pidgin, Kopete, Mercury Messenger, AMSN…

Não existe uma versão do Windows Live Messenger para o Linux porque, afinal de contas, ele é da microsoft e esta não iria criar uma versão do seu programa para o Linux — embora algumas pessoas consigam usar ele assim mesmo! Mas essa é outra história. No entanto, não há motivos para pânico visto que há vários softwares de mensagens instantâneas no Pinguim. Desde aqueles que tem apenas os recursos mais básicos, que você precisa, como o Pidgin até aqueles que posssuem recursos mais avançados, como o AMSN:

MS Outlook — Evolution, Thunderbird, Kmail…

Se gosta de usar um software para gerenciar seus e-mail em vez de usar o webmail irá gostar dos programas existentes no Pinguim. Entre eles, um que já vem com o DVD de instalação do Fedora e gosto muito, o Evolution:

Ele é integrado a agendas, lista de contatos e outros. Acho muito bom.

Jogos? Você disse jogos?

Não vou negar que jogos sejam o forte do Pinguim, visto que muitas empresas optam por não liberar uma versão para o Linux,  já que a maioria dos seus usuários ( e portanto, dos seus lucros!) irão vir de usuários Windows. No entanto, você ainda se se surpreenderia com uma grande quantidade de jogos para o Pinguim. O Fedora possui um spin somente para aqueles viciados em jogos e ainda existe a possibilidade de instalar muitos outros, nativos no Linux  ou via Wine (falo abaixo sobre ele). Existe uma página de um usuário somente sobre esse assunto. Eis ela aqui.

Rodar programas do Windows…

Acho difícil alguém precisar rodar algum programa do Windows, mas se for necessário, talvez o usuário ainda possa utilizar um software muito famoso também no Linux, chamado Wine. O Wine permite que programas Windows rodem dentro do Linux e se sintam “em casa”. Na verdade, existem casos em que a performance do programa é ainda maior que no Windows, dá para acreditar?

E os efeitos do Vista?

Ah, então você foi corajoso o suficiente para mudar do Windows XP para o Windows Vista e achou bonitinho os efeitos 3D dele, não é? Acha que não tem igual no Linux? Pois sinto lhe informar, mas quando o Vista apareceu com aqueles efeitos, os usuários Linux já usavam desktops 3D fazia é tempo. Eis um exemplo do meu que capturei, com o efeito Cubo que é apenas um dentre uma enorme quantidade de efeitos no seu desktop (como janelas pegando fogo ao fechar, parecendo gelatina, escrever com “fogo” na tela.. etc.):

Enfim, o que não falta é opção.  O que apresentei não foi quase nada dos recursos disponíveis. Apenas tentei mostrar que muito (ou quase tudo, ou tudo) do que você faz no Windows, poderá fazer no Linux sem problemas. Ainda irá aprender muitas coisas novas e descobrir recursos que antes você nem pensava que existia! Se é difícil? Você vai perceber que a maioria das tarefas é super simples. Diferentes, mas simples. Aliás, até o modo de instalar programas no Ubuntu, Fedora e outras distros famosas me parece ser mais simples que o Avançar > Avançar > Finalizar do Windows. Sim, acredite que o é. Basta apenas selecionar ele numa lista e mandar instalar. O sistema fará tudo pra você.

Além do mais, depois que terminar de instalar o Fedora, vai perceber que ele não está “pelado”, mas estará com vários softwares instalados e precisaremos apenas atualizá-los e instalar mais algumas poucas coisas (num processo automatizado também, você irá selecionar e instalar elas facilmente.) que não podem vir no DVD do Fedora por causa de licenças, etc..

O preço disso? 0(zero)!  Você poderá baixar da internet ou copiar de um amigo, sem medo de ser um pirata. Caso não encontre, ainda sim poderá achar num banca de jornal ou com alguém que venda pela Internet — é claro que eles irão cobrar; afinal, estão tendo gastos com a mídia, gravação, etc. Mas ainda sim o preço é super baixo. Uns R$ 15,00 ou menos. Mas se comparado a uma licença de uso do Windows que é algo em torno de R$ 500,00 e ainda tem o Office e outras coisas que você, a príncipio, teria de pagar..

No próximo artigo irei falar do uso de uma máquina Virtual no Windows, para aqueles que acharam interessante, mas tem medo de mexer no HD ainda. Poderão aprender criando uma máquina virtual e todos os procedimentos de instalação serão os mesmo de que seria num HD real. Assim, quando se sentirem mais confiantes, poderão instalar ele no HD real mesmo e ter uma melhor performance.

Terceira Parte: Migrando para o Pinguim: Virtualizando…