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Migrando para o Pinguim: Particionamento, Método II


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Dando continuidade  a série Migrando para o Pinguim, neste post irei abordar o particionamento do disco considerando que você já tem o Windows instalado no seu PC e este está apenas em uma partição, a C:.  Iremos redimensionar essa partição, criar uma nova para arquivos, e deixar um espaço não particionado para o Fedora.  Se você particionou conforme o post anterior da série, não é necessário fazê-lo de novo aqui. Esta é apenas uma outra forma, mas eu mesmo optaria pela primeira, já que o Windows costuma ficar lento com o tempo..

Esse post é para aqueles que tem um pouco mais de intimidade, por assim dizer,  com o seu PC.

Gparted

Para fazer isso, precisamos de um um software que seja capaz de redimensionar essas partições, claro. O software que escolhi foi o GParted . Entre nesse site e faça do download da versão mais recente e estável. No momento em que escrevo esse artigo,  a versão mais recente é a 0.4.6-1, mas usei a versão 0.4.5-2 que já tinha em mãos.  Esse Software não é um programa que roda no Windows, mas é um LiveCD. Isto é, você precisará dar boot nele, pelo CD assim que ligar seu PC sem a  necessidade do Windows para fazer ele funcionar.  Veremos como fazer isso mais  adiante.

O arquivo a ser baixado, é um arquivo .iso.  No meu caso, gparted-live-0.4.5-2.iso. Arquivos com essa extensão são na verdade a imagem de um CD ou DVD. Ou seja, eles são a cópia exata — com todas as propriedades, inclusive (como ser bootável) — de um CD ou um DVD.  Nesse caso, a imagem é de um CD. Mais pra frente, quando formos instalar o Fedora, a imagem será de um DVD.

Pois bem, depois que baixar esse arquivo — possui cerca de 100MB — , coloque um  CD virgem na bandeja, abra o Nero e escolha a opção de Queimar Imagem de CD (ou algo assim). Então basta selecionar o arquivo .iso que você baixou e colocar pra gravar. Pronto, você já tem o GParted em mãos. Se você abrir o CD, depois de gravado, vai perceber que não tem um arquivo .iso lá, mas vários outros arquivos que fazem tudo funcionar.

Antes de mais nada

Faça um backup de TODOS os dados do seu PC.  O GParted irá apenas redimensionar o disco, mas nunca se sabe se algo pode acontecer ou se podemos  fazer algo de errado acidentalmente e perdermos a partição do Windows com todos os seus documentos, músicas e tudo mais.  Salve esses arquivos em um DVD, pendrive ou o que quiser, mas não deixe no HD. Avisado disso, não me responsabilizo por qualquer perda que porventura possa ocorrer. Mesmo assim, se acontecesse de você fazer algo de errado, poderia reinstalar o Windows conforme o artigo anterior . Mas seus dados precisam estar em outro dispositivo que não o HD.

Dando Boot e iniciando o Gparted

Antes de iniciarmos, você precisa tomar o cuidado de desfragmentar a partição do Windows. Vá em Programas > Acessórios > Ferramentas dos Sistema > Desfragmentador de disco e escolha  a sua partição e clique em desfragmentar. Mesmo que o sistema diga que não precisa ser desfragmentada, faça-o assim mesmo. Não custa nada.

Depois, certifique-se de que seu PC foi configurado para dar boot pelo drive de CD/DVD antes de procurar pelo sistema operacional no HD. Esse post escrito por mim irá te ajudar a configurar isso.

Bom, coloque o CD do Gparted na bandeja e reinicie seu PC. Se estiver tudo OK, você irá se deparar com essa tela:

Escolha a primeira opção (Default Settings) e dê ENTER. Não estranhe aquele “monte de letras caindo” depois que você der ENTER. Isso é normal, o Gparted está reconhecendo seu hardware, carregando os serviços necessários para que tudo funcione:

Você será levado depois para uma tela que pedirá para que você configure seu teclado:

Selecione a opção Select keymap from full list e dê ENTER novamente:

Utilize as teclas de seta para baixo e seta para cima e escolha a opção de acordo com o modelo do seu teclado. Muito provavelmente será a mesma da figura acima: pc/qwerty/Brazilian/Standard/ Standart ABNT2 , que é aquele teclado com c-cedilha ‘ç’. Depois dê ENTER.

O sistema irá te mostrar uma lista de idiomas disponíveis  para usar na interface do Gparted (que ainda não foi carregado) e qual você prefere.  Note que ele te dá uma sugestão entre colchetes: 33 é o idioma inglês.  Se você quiser aceitar ela, nem precisa digitar nada, é apenas dar ENTER. Mas vamos escolher Português como idioma. Digite 22, como na figura acima, que corresponde ao idioma Português na lista e dê ENTER.

Para a maioria dos usuários aqui, basta dar um ENTER e aceitar a opção padrão, 0 (zero) que irá iniciar a interface gráfica, já com o Gparted. No entanto, se você fizer isso e perceber que a resolução do seu monitor está errada, reinicie o sistema e quando chegar nesse passo, escolha a opção Force Video ( a opção 1) e depois escolha a opção correta para a resolução do seu monitor. Depois de dar ENTER, a interface gráfica será carregada e junto com ela o próprio GParted. Você verá no canto superior esquerdo da tela algumas opções:

E o GParted:

Pois bem, mas o que importa para nós no momento é a própria interface do Gparted. Note que ele me mostra que eu tenho uma partição de cerca de 50GB, utilizando um sistema de arquivos (sistema de ficheiros, ele está usando o Português de Portugal) NTFS associado ao dispositivo /dev/hda1. Ele não usa as letras C: , D:, etc. Isso é coisa da microsoft. No Linux costuma-se representar os dispositivos (devices) dessa maneira. Poderia ser /dev/sda1 ou coisa parecida. Isso depende de você estar usando um HD IDE, SCSI ou Sata. Existe toda uma regra para esses rótulos, mas isso não é importante no momento. Apenas  aceite que no meu caso, a partição C: está representada por /dev/hda1, ocupando todo o meu espaço em disco (50GB. Os  cerca de 8MB mostrados na figura aparecem em qualquer PC) e é ela que quero redimensionar para usar o Fedora mais tarde. Irei usar valores convenientes para o particionamento, de acordo com o tamanho desse HD, mas você deve usar outros valores, de acordo com o tamanho do seu HD.

O procedimento para redimensionar a partição é bastante simples. Selecione partição em questão e clique em Redimensionar/Mover:

A opção para redimensionar a partição será exibida:

Você pode redimensionar a partição segurando pelas alças, nas laterais (essa faixa verde) e arrastando até o tamanho que você quer ou, da maneira que prefiro, pode preencher o novo tamanho da partição no campo “Novo Tamanho (MiB)” . Note que esse tamanho é em megabytes. Assim, no meu caso, quero que a nova partição tenha apenas 10GB e é onde ficará o Windows. Portanto, o novo tamanho é 10*1024 = 10240MB:

Depois basta clicar em Redimensionar/Mover para confirmar:

Note que agora a partição /dev/hda1 (C:) foi definida para ter 10GB e o s 40GB estão no espaço não particionado ou sem alocação, isto é, um espaço que não está reservado para partição nenhuma. Bom, agora precisamos criar mais uma partição para compartilharmos arquivos entre o Windows e o Fedora e o restante continuará como espaço não particionado mesmo. O Fedora irá usar esse espaço quando formos instalar ele.

Para criar uma nova partição, selecione o espaço não particionado (sem alocação) e clique em New:

Partições podem ser primárias ou estendidas. Geralmente, se criam partições primárias quando se quer instalar um sistema operacional nelas ou quando elas vão conter os arquivos necessários para o boot do sistema. No nosso caso, a partição que iremos criar é apenas para armazenar arquivos e, portanto, será criada como uma partição estendida. Partições estendidas podem ser dividas em unidades lógicas que parecem novas partições. A soma total do tamanho dessas partições, claro, não pode ultrapassar o tamanho máximo da partição estendida. Então vamos criar essa partição estendida e iremos deixar apenas uma unidade lógica dentro dela que irá ocupar todo o tamanho da partição estendida.

Na figura acima, o campo Novo Tamanho (MiB) sugere o tamanho máximo possível de 40963MiB (40GB, aproximadamente) que corresponde ao tamanho do espaço não particionado que havíamos obtido depois de redimensionar a partição C: (/dev/hda1). Bom, vou criar uma partição de 15GB estendida e o restante continuará sendo apenas espaço não particionado e estará livre para ser usado pelo Fedora mais tarde que irá particionar esse espaço automaticamente e de maneira simples. Então vamos lá, no campo Novo Tamanho (MiB) defino o novo tamanho para a partição em megabytes:  15360MiB  (15*1024 = 15360MiB). No campo Criar Como digo que a partição criada é uma partição extendida e no campo Etiqueta, eu apenas coloco um rótulo para saber que se trata de um partição para arquivos, embora isso seja opcional:

E clicamos em Add para adicionar essa partição:

Note que criamos uma partição estendida de 15GB, mas ainda temos esse 15GB como espaço sem alocação (não particionado), além dos outros 25GB que devem continuar como espaço sem alocação.  Isso ocorre porque, como eu havia dito, partições estendidas contém unidades lógicas e está ainda não foram definidas.  Então vamos selecionar esse espaço de 15GB no qual criamos essa partição estendida e criar uma única unidade lógica que irá ocupar esses 15GB.  Selecione-o e clique em New:

E um diálogo para a criação de uma nova partição (ou unidade lógica, como estamos chamando para esse caso) será exibido.

Dessa vez, iremos usar todo o espaço da partição estendida. Portanto, deixamos o campo Novo Tamanho (MiB) com seu valor máximo. Eu Criar Como escolhemos uma Partição Lógica e em sistemas de ficheiros (sistema de arquivos no Brasil) escolhemos NTFS para que o Windows também possa ler  a gravar nessa partição futuramente (o Windows só entender o sistema de arquivos FAT e NTFS. Os outros são do Linux e  ele não  tem suporte. No entanto, o contrário não é verdadeiro. O Linux consegue ler e escrever em partições Windows.). Em Etiqueta coloque Arquivos novamente:

Clique em Add para adicionar essa partição lógica:

Mas que beleza! Exatamente isso que queríamos! Redimensionar a partição do Windows, obter uma nova partição para arquivos e deixar um espaço livre para instalar o Fedora mais tarde. 😀

Vamos aplicar então isso. Clique em Apply. O GParted irá te perguntar se você realmente deseja aplicar essas operações e que isso poderá causar perda de dados, principalmente se você não fez a coisa da maneira certa…  Como você é um sujeito precavido, que fez o backup antes de começar tudo isso, não deve estar com medo de nada, não é? Então clique em Apply novamente e deixe que o GParted escreva essas mudanças no seu HD. Ao terminar, será exibida essa caixa de diálogo:

Clique em Close e olha só que beleza, tudo certinho e o Fedora terá 25GB para se instalar mais tarde: 😀

Observe  que a partição lógica foi definida como sendo /dev/hda5. Mais tarde, precisaremos disso para poder acessar a partição pelo Linux. Mas nosso trabalho com o particionamento está feito. Vá até o botão Exit e clique para sair. Quando aparecer um diálogo, escolha Reboot para que o computador possa ser reiniciado. Ele irá começar irá fechar o GParted, e ir para “aquela tela preta” e irá parar nessa mensagem:

Pois bem,  ele pede para você remover o CD da bandeja e dar um ENTER. Faça isso e o Windows será iniciado. Não estranhe se aparecer algumas mensagens no Windows. Ele irá verificar os discos e depois deverá iniciar normalmente. Depois que terminar, deverá avisar que um novo hardware foi encontrado e instalado no sistema e precisa ser reiniciado. Faça-o novamente e tudo vai estar como antes co seus Windows. A diferença é que se você for em Meu Computador, deverá ver uma unidade a mais lá (provavelmente D: ou E:) como uma nova partição.

Repare que a soma da partição C: e essa nova não é igual ao tamanho do seu HD. Não se preocupe, esse espaço restante é onde o Fedora será instalado. 😀

Depois de ter criado essa nova partição, clque com o botão direito do mouse sobre ela e vá em formatar. Formate-a 🙂

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Daqui para a frente irei tratar da obtenção e instalação do Fedora levando em conta que você tem seu HD preparado para recebê-lo como passei nesse e nos posts anteriores. 🙂

Próximo post da série: Migrando para o Pinguim: Obtendo o Fedora

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  1. 14/11/2009 às 21:34

    Considero o GParted como o melhor particionador atual, superando os grandes softwares pagos como o Norton Partition Magic.

    Ele é leve, fácil de usar, e serve para qualquer sistema.

    []’s

    • 14/11/2009 às 21:40

      Essa também é minha opinião. Acho ele simples de usar e permite que você crie algo legal. Muitos LiveCDs de algumas distros, vem com ele. Eu me lembro de tê-lo visto no LiveCD do Fedora 7. Assim, seria até possível testar o Linux (caso não o conheça) e ainda de quebra, particionar o HD 😀

  1. 11/11/2009 às 23:37

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